domingo, 5 de setembro de 2021

Estradas

Quando o tempo passa e as chances mudam, os caminhos se desbotam e não se pode mais voltar, o viajante constantemente se vê a pensar.

Esses entrecortes de estradas nada mais significam que oportunidades. A cada caminho escolhido, há outros diversos relegados ao desvanecer da memória. Aos futuros de pretérito, às especulações e ao esquecimento. 

Quando o tempo passa e as chances mudam e os caminhos se desbotam, o viajante percebe que o problema não é estar onde está no momento, mas ter deixado de estar em outros lugares. A falta não é do que não se tem, mas do que não se fez. Dos passos que não deu, das estradas que não cruzou, da paisagem que não apreciou, das pedras que não retirou, das flores que não colheu e das sementes que não plantou.

O arrependimento jamais será do passo que se deu falho, da pedra que se fez tropeçar, do caminho que se fez encontrar. Estes, o destino lhe guardou. Com estes, aprendeu a superação e adquiriu sabedoria. Estes lhe permitiram ser um homem maior.
Dos sentimentos enforcados, do grito calado, do sonho enfurnado, entretanto, o arrependimento não esquece. 

Nenhum fruto podre, jamais, irá revelar-se mais amargo que a semente que não se plantou. 
Nenhum pesadelo, jamais, atormentará mais que aquele que outrora fora um sonho inconcretizado.

O viajante percebe, quando o tempo passa e as estradas se desbotam, o inegável peso de sua mochila: 
A única saudade que fica é a saudade do que nunca foi, e podia ter sido.

segunda-feira, 27 de maio de 2019

florescendo

olhos d'água
que vem de
              (lave)
dentro

e traspassa um
peito cheio de
             (leve)
flores

flores estas que banha a água
do mesmo mar
que se afogam amores

as flores não sabem que água as banha,
tampouco a luz que as faz crescer
não se perguntam o que é (a)mar
só o que fazem é florescer

olhos d'água que cai lavando
                       (dentro)
o peito cansado de ir levando
                       (flores)
não vêem o mar que se tornaram
ensimesmados das próprias dores

tornaram-se mar para
transbordar
gotas salgadas e
 transmutar
           amores, dores e
flores

de ondas bravas, a calmaria
   - calma, ria
ria um pouco, água,
que já foi doce
quando era rio

rio, ondas, água, flores
luz, peito,
(vi)ver
amores


tudo continua
mesmo mar
mesmo água
       flor
             (e sendo)

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Pouco sinto quanto devo
quê me faz, senão ficar 

sob os silêncios das palavras
só não digas me escavar 

tu mal sabes quem sou eu
tu nem sabes o que doeu
tu só sabes das mentiras
que contastes sendo eu

lastimável, tua máscara
um dia cai, sejamos francas

impecável, para os tolos
e aos cegos por tuas bandas
já vai tarde,
não me enganas

se em teu íntimo a dor grita
só tenho eu a lamentar
não fui eu que acendi o fogo
sob o qual irás queimar

tua consciência cedo ou tarde
saberá que apontar

eu aguardo, o tempo é justo
não preciso
desculpar.

já fui
a tola
a tentar.

agora eu resto,
ao que me resta,
descansar.

estou em paz.

vá-te já.

não espero.


adeus

sexta-feira, 11 de maio de 2018

Conectados

se somos matéria mesma da Terra,
somos filhos do centro, e do topo.
conectados.

somos da mesma matéria do dia que amanhece,
do sol que nos ilumina,
de todos os seres que evoluem 
na natureza,
conectados.

da mesma matéria do ar que nos enche os pulmões
de cura, de combustível 
para todas nossas células,
conectados.

da mesma matéria do amor que nos percorre,
simplesmente por estarmos vivos mais um dia.
sim, essa vida que insiste em pulsar
também é uma forma de amor.

se somos tudo isso,
conectados,
percebo a mim em ti e também
 nas nuvens que refletem as cores,
todos nós conectados.

por isso sou feliz por saber que sou muito,
muitas
e muitos.
hoje sinto gratidão por mais um dia,
conectada.

🌼✨🌱

domingo, 11 de março de 2018

Manifestação

Eu gosto muito de ver como a natureza se manifesta.
Especialmente os seres mais simples que posso ver, como uma formiga, um passarinho e, principalmente, as plantas.
Uma planta não tem um sistema nervoso complexo; muito menos tantos órgãos tão bem desenvolvidos e elaborados dentro de si. Ainda assim, são capazes de nascer, crescer, procriar, e morrer.
Nesse meio do caminho entre o chegar e partir, conseguem exercer seu papel. Modificar a composição química do solo, do ar, servir de alimento, sombra, abrigo.
E elas não estão preocupadas, e nem podem.

Olhando esses seres, que simplesmente fluem no ritmo da vida, que parece estar impresso no seu fluido vital, eu lembro muito daquela passagem, “Olhai os lírios do campo.”
Os lírios não se preocupam, e nem podem, e ainda assim cumprem seu papel na natureza. Nós, ainda mais complexos, por que não o teríamos capacidade de realizar? Nós, igualmente pertencentes à natureza, por que não haveríamos de cumprir nosso papel na existência, simplesmente por fazer parte dela e deixar nossas pegadas?

Quando eu me sinto pequena, eu gosto de ver as coisas ainda menores do que eu. O que foi uma rocha hoje é areia, e nem por estar despedaçada perde sua importância.
A areia que já foi uma rocha sabe a dureza de ser uma rocha, e também sabe a fluidez que é ser grão; absorver, moldar-se, ocupar todo o canto e ir com o vento. E está tudo bem.

Hoje a areia é pequena. No entanto, embora sua pequenez, cumpre seu papel, e deixa o pedaço de mundo ao qual pertence diferente com a sua existência. Já foi rocha, já foi areia, e tudo na vida segue sendo um processo.

Não importa o que aconteça.
As pessoas continuam passando nas ruas, o vento continua ventando, o sol nasce e morre a cada dia.
E está tudo bem.
É preciso ter olhos de olhar os lírios do campo.
Os grãos de areia.
E o sol em nós,
que nasce e morre,
um pouco
e de novo,
a cada dia.
E também o seu brilho que continua o mesmo,
apesar dos dias.

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Caminhos

A gente tem que ser grato sim.
A gente tem que ser grato porque não há certo e errado, só tem o que nos faz bem.
E isso pode ser hoje uma coisa que há dois meses era diferente. Não existe nada de errado nisso.
A principio parece confuso, porque “não temos parâmetros”. Como não?! Temos o mais confiável de todos: o estado presente. Como nos sentimos agora. Nossa consciência atual.
A gente tem que ser grato por se sentir perdido, porque é assim que nos encontramos. Essa história de ter certeza é para os cavalos de antolhos. Eles têm certeza que só há um caminho, mas só porque não tem ideia da imensidão à sua volta.
A gente tem que estar incerto mesmo, porque a incerteza nos leva aos riscos. Os riscos nos levam às possibilidades, que nos levam a novos horizontes.
Pode nos levar a um abismo? Sim, podem. Mas também podem nos levar ao paraíso, e nunca saberemos caso não decidamos ir.
Também, eventualmente, o caminho até o abismo seja muito lindo, e teremos apreciado a viagem. A gente entra em pânico quando vê um abismo, mas quem disse que precisamos cair?! Podemos só ver que há um abismo. E voltar. Sempre.
Se viajamos, não ficamos no hotel com medo de conhecer novos lugares. Nós vamos conhecer tudo que pudermos, e não dormir se for preciso. Os passeios não são iguais, despertam coisas diferentes, mas todos são igualmente merecidos e gratificantes, porque todos valeram o conhecimento. 
Alguns valem a pena voltar a visitar, outros nem tanto, mas todos valeram a pena ter ido.
A gente tem que ser grato sim, porque temos a oportunidade de conhecer novos lugares, nem que esses lugares sejam dentro de nós, ou nos caminhos que se cruzam a cada dia.
A gente tem que ser grato porque somos livres, e com essa liberdade podemos ir exatamente até onde nos faz bem. No fundo, a gente sempre sabe a dose.
A gente tem que ser grato porque o que está frio esquenta, e o que está quente esfria, e isso mostra como tudo no universo tende ao equilíbrio. Isso é bom. Porque precisamos saber lidar com extremos, mas também precisamos entender que o equilíbrio é inevitavelmente o destino final.
Não existe nada errado. Não existe nada certo. Não existe nada sem razão, nem com completa razão.
Só existe a nossa percepção, as interações e as nossas escolhas.
A gente nunca sabe o que vai ser de hoje, muito menos de amanhã. E não existe nada certo nessa vida.
Exceto a gratidão.

A gratidão está sempre certa.

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Primavera

Era um dia de sol quando você apareceu
Por acaso, como vem um vento
E tinha olhos
Que mergulhei
Por um segundo

peguei ar

Com pulmões cheios, pisava lento
Como um estranho entra
Em uma nova casa
Onde é visita

Quem mora ali? 
Onde entra luz?
Tive cautela,
Ou era medo?

Era uma nuvem.
Ventos trazem nuvens, como se sabe;
percebi, parei.

Mas fui pisando, um pé aqui e outro atrás;
Meu sol encontrou a luz de seus cômodos
Por relampejos do sentir, fundir;

Inundamos esta nuvem com tanto sol 
que o dia se viu claro
Ameno, primavera;

me permiti entrar

Entrei com o sol,
Entrei com o raio de luz que ultrapassa qualquer nuvem
Raio vindo da fonte;

Difuso
Mormaço 

Mormaço também queima.
Senti algumas queimaduras
Mas eu amo o sol.

Vi novas nuvens
E depois outras
Mas que importam?
Conheci o sol.

De repente, a nuvem choveu
Raiou
Molhou
Doeu

Eu precisava que a nuvem passasse
Para relembrar de um dia de sol
Mas não era só uma nuvem
Dessas de verão

Era nuvem torrencial, das que vem tempestuosas
Muito Intensas,
 porém errantes.


Eu precisava que a nuvem passasse;
Toda nuvem passa;

Mas Você
Era a nuvem.


do mesmo acaso
do vento
Que veio
E foi.

Voltei ao sol.

terça-feira, 17 de outubro de 2017

rebirth

Once more
You meet that tunnel
You meet that light
You meet that dark

How many times do I have to recross this path?
So many compositions
Of flaws and heights
Same rollercoaster 

Once more 
I meet that feeling
Those butterflies
That same old stomach

Once more I feel that pain
That dark spot
That needs embracing

How many times will I know
A different embrace until
I find mine?

Some faces I call home
Some places I have lived in
Some traces I missed so long

How many times will I let go
Something
I have been reborn
A thousand lives to

Love?

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Cerzir

Em cada microesfera de ser
Há um novo retalho e o seu cerzir
Peças rotas, novas, usadas, descartadas
Há um cerzir

De estampas, e rasgos, e novas cores
Há um fundir
De memórias de vezes
E novos amores
Há um cerzir

De uma mesma essência 
E panos, incandescência 
Há um partir

Donde parte, se chega,
Sem despedir
Sem mesmo sair

A agulha que fura
E perfura
É a mesma que une
Que cura

Somos imunes
Há um cerzir

Há beleza
A beleza 

Da colcha 
De retalhos
Que somos 
Eterno
Cerzir

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Colisões

À primeira vista, verde;

À segunda vista, cinza;

Caminhos que, afinal,

Têm verde e têm cinza.

e só conseguimos ver

andando

com passos leves


Estampas através de cada rosto

Que passa

Mais um?

Todos iguais, com estórias diferentes

Por trás de cada contorno 

Um próprio universo 


Os universos ali colidem 

E colapsam 

Em tentativas 

De virar um só 


Da colisão faz-se uma explosão 

Que por vezes cria,

Outras repele,

Por vezes vinga

Por vezes fere


No fim das contas,

Se regeneram

e mostram ao fim

que estrelas

e asteroides 

e luas

São igualmente lindos 

 - precisam ser diferentes


Há uma razão de estarem ali

continuando suas histórias 

e escolhendo crer em mais estórias

cuidando de seus laços


Se há um universo 

Que abrange todos,

é permitido que assim seja.


se há porventura uma colisão

para que se formem novas estrelas,

é porque do caos também nasce luz.


se há uma vida

em que uma só coisa pode ser feita,

talvez seja fazê-la feliz, embora o tempo


porque talvez o caminho seja

esse mesmo,

Caminhar,

para fazer caminho


e colidir

para renascer


e talvez, por trás de tudo

que explode, e muda, e renasce,

e vinga, e cria, e vive,

tudo o que haja

seja isso mesmo;


uma luz 


perene

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Sorte

Eu acordei 

Com cansaço nos olhos, mas coragem nas mãos:

Vamos! novo dia à frente 


Pela janela, o sol nascendo

(Nascemos juntos hoje, querido)

Nas ruas, o primeiro dia de sol

Após muitos outros de chuva;


No chão, folhas, cinquenta tons

De verde

Flores abertas, 

Campos, grama, árvores, carros,

Pessoas, sorrisos, movimento

Sol, azul, amarelo, brilhos 

Nos olhos 


Olho para o céu - quantas cores!

Ó Deus! que mais poderia querer?

Envio minhas preces de gratidão 


E Então você chegou

E dentre todas as maravilhas criadas 

que tive a graça de ver hoje

Seus olhos foram de longe 

a mais bonita

Que me fez sorrir.

domingo, 30 de abril de 2017

Talvez

Talvez o oceano que te afunda seja só uma gota,
E que em vez de naufragar, se possa chorar,
Lavar, e secar

Talvez a eternidade seja só um dia,
Convertendo o sempre em uma memória,
Para que possas lembrar, 
Talvez sorrir,
E deixar que se vá;

Talvez toda essa escuridão seja só a noite,
Trazendo ao dia um descanso,
Para que se relembre como é o amanhecer,
O renascer;
A esperança.

Talvez essa dor seja só um espinho,
Que fura tua pele 
mas precede a flor 

Talvez a vida seja mais que isso
Porque isso também passará.

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Times

In times like these
And times like those
What will be will be
And so it goes

And it always goes
On and on and on and on and on

And there's always been laughing, crying, birth, and dying

Boys and girls with hearts that take and give and break

And heal and grow and recreate and raise and nurture
But then hurt from time to times like these
And times like those
What will be will be
And so it goes

And there will always be stop and go and fast and slow
Action, reaction, sticks and stones and broken bones
Those for peace and those for war
And God bless these ones

What will be will be
And so it goes
And it always goes on and on

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Naturalidade

"A bem aventurança é um estado de natureza. Ela não requer energia, porque é natural. A amargura exige energia, porque não é natural. Quanto mais natural você for, de menos energia precisará; quanto mais não natural quiser ser, de mais energia precisará.
Ficar de pé demanda menos energia, tente se colocar de cabeça para baixo e precisará de mais energia. Sempre que for necessária mais energia, é porque se está tentando algo não natural. (...)"

segunda-feira, 13 de março de 2017

Calma

Calma,

Deixa cair
Ara,
Tempo por vir

Prepara a terra
Dissolve a mágoa
Passeia sem pensar
Ouvindo a água

Deixa molhar
Deixa abater
Deixa derramar
Pra que sofrer?
Pra que chorar?
Pra semear

Caindo do céu
Atravessa o ar
Escorre no chão
Pra brotar. 
🌸




(Manu Santos)

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Alô

Alou
Vamo conversar
Vamo largar o que tá destinado a ficar de lado e trocar nossas vidas
Vamos falar sobre a existência e os nossos sonhos, o universo, o que nos faz pensar
Do que você tem medo?
É de alguma coisa, de alguém? Medo de si mesmo?

Vamos falar sobre o que você descobriu, eu te conto o que eu descobri, você acha que estamos sendo observados?
Você acredita em vida fora da Terra?

O que você quer fazer antes de morrer? Me fala como foi seu dia, o meu tá assim, bem legal mas meio arrastado também.
O que você faz quando cai, o que te ajuda a levantar? Quando foi a sua primeira grande decepção?

Vamos brincar de contar estórias?
Vamos brincar de você completar minhas frases.
Eu completo as suas.

Vamo se ver, vamos dar as mãos, vamos andar lá fora, não sei onde, e vamos olhar pras estrelas e ver que cada uma delas guarda um sonho;
Vamos lá nos perder e nos encontrar;
Você pode escolher por onde começar, vamos?

Me mostra teu pedaço de universo, eu tenho um universo aqui também;
Vamos juntar planetas e constelações;
A gente pode falar sobre ontem, hoje ou amanhã, a gente pode não falar nada também; olho no olho e tá tudo certo.

Vamos qualquer coisa, mas não vamos ficar parados, não.
Vai, fala.
Alou
Vamo conversar  

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

o caminho

"Espiritualmente, todos nós somos totalmente merecedores porque todos nós somos plenos. Se o seu ser inclui tudo, como você pode merecer uma coisa menos que outro? Esse senso de plenitude não é material. A questão não é ser absolutamente lindo, infinitamente rico, ou impecavelmente virtuoso. O milagre do amor é que se pode ser imperfeito e ainda assim ser totalmente inteiro.
Esse último ponto não é fácil de compreender. Mas ao se pensar em como uma mãe ama o filho, torna-se imediatamente óbvio que as imperfeições da criança não contam diante dos olhos dela. Isso não é cegueira, mas sim a visão do amor. O amor é extremamente sensível a fraquezas; responde querendo apoiar e dar força de qualquer maneira possível. Mas não há julgamento nele contra a fraqueza ou defeito. Uma mãe ajudando o bebê a caminhar não está pensando "se você fosse competente, já estaria caminhando sozinho". Ela aceita que o crescimento move-se por etapas e sente prazer em nutrir cada etapa. A pergunta é, como ela pode fazer isso por ela mesma?"



(Deepak Chopra)


domingo, 8 de janeiro de 2017

something about love

I'm walking fast through the traffic lights

Busy streets and busy lives
And all we know
Is touch and go
We are alone with our changing minds
We fall in love 'til it hurts or bleeds or fades in time

And I never saw you coming
And I'll never be the same

It comes around and the armor falls
Pierces the room like a cannonball
Now all we know is don't let go

We learn to live with the pain
Mosaic broken hearts
But love is brave and wild

This is a state of grace
This is the worthwhile fight
Love is a ruthless game
Unless you play it good and right
These are the hands of fate
You're my Achilles heel
This is the golden age of something good and right and real

And I'll never be the same


(State of Grace)

domingo, 18 de dezembro de 2016

"Não procure pelo amor...

procure pela verdade. 


Quando você encontrar a verdade, haverá muito amor lá. 

Se você for a procura de amor, você pode distrair-se. 


Deixe o amor encontrar você."

Oceano

O mundo fala de ter razão 

E eu lhe falo de ter motivos 

O mundo pede uma explicação,

Eu respondo que já as tem 


Como tenho?, se lhe pergunto

Tens por dentro, basta calar

Mas o mundo não cala

O mundo não ouve.


O mundo pede uma previsão,

Eu digo que não sei de amanhã;

O mundo diz que sou insensata,

Digo que isso é uma ilusão


O mundo grita,

Eu observo


O mundo diz que sou um barco à deriva,

Respondo que sou o próprio mar;

O mundo diz que não se pode viver

De altos e baixos


Respondo que é só o que tenho.

Água,

Pra mergulhar


O mundo recua

Eu sigo sendo

Oceano.