sexta-feira, 23 de março de 2012

Lista de Compromissos para 2012;

Mais um ano letivo à frente, desta vez aquele definitivo. Sim, o tão falado terceiro ano.
Decisivo pelo vestibular, faculdade, carreira, e portanto, vida; pelo último ano para aproveitar o ambiente escolar, com professores, alunos e inspetores legais ao redor; pelas várias festas; amizades que ficarão pós-vida-escolar.
Enfim, é um ano decisivo e, portanto, nossos queridos adultos do mundo e, dentre eles -ok, a maioria deles-, os nossos professores, decidiram nos dar uma dica de como aproveitar bem uma rotina, sem cair na rotina. Isto é, para você que está perdido em frente a uma gama de opções e cobranças, saiba o que fazer.
Descobri que vestibulando deve:

- Revisar toda a matéria dada no dia
- Fazer todo o dever de casa e ainda os exercícios semanais valendo nota
- Manter as amizades, porque não se deve deixar morrer aquilo que você demorou tanto pra construir, e vale tanto pra você
- Fazer novas amizades, inclusive, porque nunca é tarde demais para encontrar mais um amigo pra vida toda
- Não deixar a matéria acumular. Vai chegar uma hora que você não vai mais conseguir dar conta da bola de neve!
- Nunca chegar atrasado na escola. No dia do vestibular, um minuto é suficiente para não fazer a prova.
- Fazer as suas atividades, como dançar, jogar bola, correr, ir pra academia... Você precisa relaxar!
- Dar atenção para a sua família. Você não quer ser ausente às pessoas que mais te amam, né?
- Escolher a sua carreira certeiramente. Ninguém pode se dar o luxo de perder anos de vida porque descobriu que a faculdade que fez não é realmente o que quer.
- Tire todas as suas dúvidas. O detalhe que você não entendeu pode te desclassificar em uma prova.
- Não deixe tudo uma bagunça! Mostre responsabilidade ao arrumar o seu quarto, cumprir horários com seus pais, lavar o pratos. Ano que vem você estará na faculdade!
- Ir bem em testes e simulados. Se você não vai bem nem na escola, vai passar no vestibular?
- Continue indo às festas. Não deixe um ano estragar a sua vida social.
- Não se deixe levar pelas opiniões alheias. Pondere sempre.
- Não seja preguiçoso. Use seu tempo de maneira produtiva.
- Durma bem. Ninguém quer chegar ao fim do ano, a época mais importante, cansado.
- Pense na comemoração do final do ano, como viagens e formaturas: não são coisas simples que se arrumam em cima da hora.
- Não esqueça das datas importantes, como aniversários e compromissos, as pessoas ficam chateadas se você esquecer delas.
- Cuide do seu cachorro, gato, hamster, passarinho: caso contrário eles não vão entender se você ainda os ama.
- Saia com o seu namorado, arranje um namorado, ou peguete, tanto faz. Você precisa se permitir aos relacionamentos, para sair do foco da escola.
- Mantenha o foco na escola. Se distrair é um passo para ignorar de vez.
- Não deixe que a pressão te enlouqueça. Tranquilidade e controle é a chave para o sucesso.
- Seja você mesmo. Pessoas manipuladas não alcançam o seu sonho.
- Faça o que você gosta. É importante cuidar do seu bem-estar.
- Não esqueça de se cuidar. Uma aparência desleixada é sempre ruim!
- Não esqueça de ser simpática com o porteiro. Gentileza gera gentileza.
- Nunca deixe a cobrança te deixar de mal humor;
- Mantenha tudo em dia.
- E não esqueça de ser feliz.
Vai!!!


E não esqueça de aprender a multiplicar o tempo, e desfazer paradoxos.
Feliz 2012.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Um fim de tarde

Ela estava no seu quarto, seu próprio quarto. Seria uma tarde qualquer, se não fora a sua ansiedade, por tantas coisas que nem mais saberia citá-las todas -sim, ela às vezes sentia-se ansiosa, sem motivo, ou seria também qualquer motivo uma razão para uma possível ansiedade-, e a sua concomitante preguiça de fazer o que deveria. Eventos fora da rotina conferem a essa tarde um quê de destaque. Veja, a rotina não admite ansiedade, muito menos preguiça.
Deveres, deveres, blá, blá, blá. Não.

O sol castigava lá fora, de modo que o ar condicionado já estava a postos, rangendo hora ou outra, e passatempos infantis preenchiam o tempo em que se travava em sua mente o fervoroso debate sobre a tomada da mais importante decisão: o que fazer naquele momento.
Entenda que ela ama música. Entenda que dentro dela borbulhava uma ardente decepção, daquelas recentes, enquanto não se sabe ao certo se é preferível aceitá-la, revoltar-se, ou simplesmente cegar-se a ela. Levantou-se e ligou o som. Nada como ouvir as frases que queria, dessa vez fora de sua mente e ditas por este cantor.

Abrindo o armário, como que mecanicamente, naqueles momentos em que - talvez na ausência de ideias- não se sabe por que decidir, começa a mexer nas gavetas, cabides, roupas.
Minutos depois o chão estaria coberto das suas várias roupas preferidas, minutos depois estaria sentada junto a elas separando-as em pilhas, esquecendo, quem sabe, seus afazeres, sua ansiedade, sua preguiça, a hora, e até mesmo a sua decepção.

Seu quarto era uma combinação perfeita entre os sutis detalhes que deixam um fim de tarde agradável. Pela janela via um azul bonito, e umas nuvens bem macias e reflexos bem cegantes em todas as pinturas claras de prédios ao alcance de sua visão; o ar fresco que a tecnologia lhe permite desfrutar; músicas animadas que o random insistia em trazer; roupas e suas cores ao chão. Ela ao chão, junto às roupas. O som estava mais alto, agora.

Criou-se então em sua mente uma nova cena. Para ela era fácil transferir-se de realidade - todos sabemos como a em que estamos é monótona, às vezes -, e foi o que fez. Não era necessário fechar os olhos para imaginar que todas as roupas seriam novas, que o ar condicionado teria aquele cheiro bom de ar condicionado, que sua cama na verdade eram pufes enormes e confortáveis de uma loja bem bacana, que a música era na verdade tocada pela moça do caixa da loja em que estava, porque sim, estava agora em uma loja de roupas.

A loja era dela. E as roupas também. Só que faltava um detalhe... Onde está o cheiro de loja? Borrifou alegremente uma ou duas vezes um perfume agradável, mas ao mesmo tempo divertido, e continuou a arrumar as pilhas de roupas. Ela se perdeu na imaginação, em tudo, inclusive no tempo, este que, inconveniente, obrigou-a a voltar à sua monótona realidade de antes. Estava atrasada, para variar. Guardou rapidamente seus pedaços de sonho nas gavetas, nos cabides, na caixa de perfume e nos fios desplugados, e foi embora.


O fim de sua tarde havia sido tão bom, que só quando lhe cumprimentou o sono, voltou ao seu quarto, quando pôde sentir o aroma levemente doce do que em algum momento daquele dia havia sido uma loja. O perfume havia ficado, mas o sol já tinha ido embora e o quarto estava escuro. Nessas horas ela era mais lúcida: Eu tenho dezessete anos e brinquei de loja. Borrifei o meu perfume no ar. Qual o meu problema? Saiu do quarto com as luzes apagadas, e, andando pelo corredor, buscando o interruptor para acender as suas luzes, jogou fora a lucidez. Vendo-se no espelho, agora iluminado, Não. Não é um problema.

Seus cabelos cobriam levemente o rosto quando balançava negativamente a cabeça, abaixou o olhar para as suas unhas recém e bizarramente pintadas, e chegou à veemente conclusão de que não era um problema brincar de loja nem borrifar seu perfume no ar, simplesmente para sentir o aroma doce que emanava aquela loja. Ela tinha um problema antes de fazê-lo. Ela tinha alguns problemas, antes de deixar-se levar pela aleatoriedade daquela tarde quente e azul, mas eles foram embora por um bom tempo.

Não é um problema ser criança de vez em quando, não é um problema nem mesmo fazer algumas idiotices, não é um problema fingir não estar vendo a realidade passar, de vez em quando. Principalmente quando você teve alguma decepção. Principalmente porque você pode aprender a congelar a sua realidade por uns instantes. Não é um problema ser você mesmo e fazer o que quiser, principalmente quando ninguém está olhando, e ninguém vai te julgar. Não é um problema ser de novo criança, e ser de novo feliz. Até porque, no fundo, você nunca deixou de ser nenhum dos dois.