segunda-feira, 28 de julho de 2014

Adeus

Naquele dia, era frio
Mas ainda havia o nosso calor
Naquele dia, duas mãos atadas andavam despreocupadas e sorridentes
Como se o adeus não existisse

Naquele dia havia riso e havia afeto,
naquele dia havia calor e frio,
havia beijos e abraços,
piadas e estórias.

Naquele dia não havia adeus,
não havia despedidas,
não havia distância, memórias,
saudades.

Naquele dia só havia nós dois
e uma data a se esquecer
a se beber
a rir-se e
debochar-se

Naquele dia falava-se de adeus
como estórias tristes,
casos distantes e
fantasmas que não amedrontam

Naquele dia só havia nosso sorriso,
mas hoje está frio e sua mão não aquece a minha
sua memória não me abraça
seu sorriso não provoca o meu

Hoje o afeto reside no frio
Os lábios residem na história
Aquele dia reside no pranto
E o adeus reside em minhas entranhas

Hoje o fantasma é real
Hoje eu tenho medo e durmo
Só para sonhar com as estórias
Que não têm escrita a palavra

Adeus.

domingo, 8 de junho de 2014

Duo

Finalmente, quando a noite fez-se dia, os sonhos fizeram-se tato e o coração fez-se obscuro.
Finalmente, com o raiar do sol, os olhos abriram-se e viram o vazio das prateleiras.
Cadê aquela fantasia? Diz-me onde, vou correndo encontrá-la
Cadê a chave que tranca teu amor em meu peito?

Almoço meu desgosto e janto à luz de velas, 
para que as sombras nas paredes possam sorrir por nós
Penso em qualquer coisa e, mais uma vez 
é tudo sonho

Finalmente, o dia fez-se noite
Deita tranquilo, não há mais luz.
Onde estão os nossos sonhos?
Diz-me onde, não há mais luz.

Desfaz logo a pedra de seu coração,
pega aquela chave e vem tranquilo
dormir.