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quinta-feira, 18 de abril de 2013

Caras

O que seria do Cara sem a Coroa?
Que resta da luz, senão o escuro?
Que é do silêncio, sem sua voz?
Que ficou da noite, senão outro dia?

Poesias deixadas à margem, em estrofes cuspidas ao vento
Letras que voam, frases que correm para uma expressão
Que ficou do poeta, senão o papel?

Tique, tique, ah! Taque,
vou-me embora,
O que resta dos opostos?

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

E agora?

E agora que o dia acabou?
E agora que o sol já se pôs, e a saudade me atormenta?
E agora, que só me resta entregar-me ao tempo?
E agora que não sei o que fazer...?

E agora, que estou aqui e você lá?
E agora, que percebo que sou impotente?
E agora, que só penso em loucuras?

Agora, que nada mais está no lugar, ainda há como se encontrar?
Posso te encontrar?

Agora?

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Tecendo a Manhã

"Um galo sozinho não tece a manhã:
ele precisará sempre de outros galos.
De um que apanhe esse grito que ele
e o lance a outro: de outro galo
que apanhe o grito que um galo antes
e o lance a outro; e de outros galos
que com muitos outros galos se cruzam
os fios de sol de seus gritos de galo
para que a manhã, desde uma tela tênue,
se vá tecendo, entre todos os galos.

E se encorpando em tela, entre todos,
se erguendo tenda, onde entrem todos,
se entretendendo para todos, no toldo
 (a manhã) que plana livre de armação.
A manhã, toldo de um tecido tão aéreo
que, tecido, se eleva por si: luz balão"..


-João Cabral de Melo Neto

domingo, 22 de abril de 2012

Pus o meu sonho num navio.

    Pus o meu sonho num navio
    e o navio em cima do mar;
    - depois, abri o mar com as mãos,
    para o meu sonho naufragar.
      Minhas mãos ainda estão molhadas
      do azul das ondas entreabertas,
      e a cor que escorre de meus dedos
      colore as areias desertas.
        O vento vem vindo de longe,
        a noite se curva de frio;
        debaixo da água vai morrendo
        meu sonho, dentro de um navio…
          Chorarei quanto for preciso,
          para fazer com que o mar cresça,
          e o meu navio chegue ao fundo
          e o meu sonho desapareça.
            Depois, tudo estará perfeito:
            praia lisa, águas ordenadas,
            meus olhos secos como pedras
            e as minhas duas mãos quebradas.

          (Cecília Meirelles)

          sábado, 21 de abril de 2012

          Check

          I wanted to tell you how I am feeling, but I couldn't find words that fitted.
          I wanted to tell you what I was feeling, but the words I said were not enough.
          I wanted to make every morning perfect, but I found out somehow sun does not always shows up early.
          I wanted to make nights perfect, but I found out somehow things do not always end up as well as they started.
          I wish I could savvy my thoughts and master my mind,
          I wish I could close my eyes and believe
          I wish I could listen and you do not deceive
          I wish I made sense to me and it made sense to be
          And anyhow still
          I wanted to thank you for filling when I gapped it
          I wanted to show you I was also wrong
          And I wanted to be right, being so wrong
          Now I'm just sorry for breeding a sorrow
          That is way too smart at hide and seek
          I am sorry, even if you never listen, even if you never understand it, even if I never say it
          I am sorry and I try
          I swear I try to get that queen's golden crown back
          And never let this giant, blind and bold sorrow
          Checkmate.

          quinta-feira, 29 de março de 2012

          Eu queria dizer que te amo...

          Eu queria dizer que te amo.
          Te lembrar de que sinto saudades,
          que imagino como seria se tivesse convivido
          suficiente com você

          Queria ignorar que o telefone não toca,
          cartas não chegam, fotos não bastam
          Queria saber como anda você.

          Queria dizer sempre e mais uma vez
          o quão especial você sempre foi,
          o que a ausência não é capaz de apagar...

          Eu só queria te lembrar que eu te amo.
          Mas não sei se aguentaria receber apenas
          mais um Eu Também
          E nada mais,
          nunca mais.

          domingo, 2 de outubro de 2011

          "vai ter uma festa
          que eu vou dançar
          até o sapato pedir pra parar.

          aí eu paro
          tiro o sapato
          e danço o resto da vida."
          (Chacal)

          domingo, 20 de fevereiro de 2011

          My Ventriloquist.

          É tão bom controlar todos os fios da marionete...
          como é bom ter o mundo nas mãos!
          Mas que pena, é triste que ao virar seu boneco
          Eu perco meu coração.

          sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

          Love,

          Shall I compare it to a fire
          that burns in the soul, enkindles desire?
          It is what lovers search for
          for all their lives,
          Door by door
          Well, sooner had I noticed
          finding love would be so hard
          'Cause love just isn't love
          When it isn't from the heart
          Never had words been so wrong,
          When they meant something was strong
          would be forever, and now it's gone.
          Not only can't eyes see inside
          But also don't know how to lie
          Only one does mean the truth
          If he's looking back at you
          Not in the eyes, but with the heart
          Which then beats faster, is complete
          Because it knew right from the start
          That you were just the missing piece.

          domingo, 12 de dezembro de 2010

          Purity

          Rompera seu casulo há pouco.
          A pequena borboleta voava,
          perambulava e saçaricava de flor em flor
          Rodopiava, batia as belas asinhas, deixando cair pouco do seu colorido pó.

          Era todo dia a mesma coisa,
          saía para o jardim, para as flores,
          e pelo jardim, pelas flores, continuava a sair.

          Ela era tão jovem. Se maravilhava pelas violetas, margaridas, lírios, rosas.
          Sempre era sol em seu mundo de cores e perfumes.
          Ela não se preocupava. Faria para sempre seu lindo e particular espetáculo às flores. Não se preocupava - não havia por que se preocupar.

          Costumava ser aquela desprezível lagartinha.
          Já que foram-lhe dadas asas, para que parar de voar um momento sequer?
          A linda e colorida borboleta era ainda jovem, desconhecia até mesmo sua inocência e ingenuidade.
          Nunca pararia, porque nunca haveria de cansar.

          A borboleta viveria para sempre.
          Sua infinita vida seria para sempre colorida, desprecavida, perfumada.
          A borboleta seria para sempre linda, rodopiante, ingênua.
          Ela nunca pararia, nunca se procuparia.
          Seria para sempre jovem. Para sempre livre. Para sempre feliz.
          Para sempre, inocente.

          sábado, 23 de outubro de 2010

          Oh, Clocks.

          Roses
          Torn and Dead
          They're no more smiling,
          no more red.

          Look at their trace,
          thrown and sad
          Oh, shame- no one can erase
          what time has set.

          O Desvanescer

          Vermelho,
          Laranja,
          Amarelo,
          Bege
          e

          Branco.

          domingo, 10 de outubro de 2010

          Secret Blowing Wind

          And there comes the rain.
          There it comes, and never seems to be leaving.
          Once more I wonder what else the wind carries away in its blow
          besides those thick raindrops;
          love, hope, warm, coziness, a dream...
          or only
          Cold ?

          In its coldness
          what can I tell -
          Did it tell me?

          In its cold
          It blew in my ears
          Something I didn't expect to hear.

          I heard everything it was carrying away.
          I heard what no one'd never tell me
          I saw why. I saw life and all its whys.

          How couldn't I ever see
          How cold the wind blows?
          How come I'd never seen
          How fooled eyes can be...

          But then it blew away.
          Left me here, possessor of its secrets
          Puzzled with its doubts
          And timorous with its surety

          I'm looking through the window
          There goes on rain.
          There whistles the wind.

          Maybe looking for any unadmonished ear
          Willing to whistle its secrects away
          Once more.

          I wonder how it would feel.
          How would the person feel,
          as a connoisseur of life and all wind's secrets.

          I wonder when will the sun show up again
          Come and warm my days up
          Oh, I love the sun!

          But now it reminds me,
          "That's what life is" ,
          sometimes there is some rain.
          And this secret blowing wind is part of life...

          There i caught myself wondering,
          Why is this wind so cold some times?

          sábado, 6 de março de 2010

          A Vassoura e o Gari

          O tempo passa,
          E mais um rosto
          passa
          Sério, mudo, apressado, apreensivo.
          Voltado à frente, sempre à frente;
          à frente os seus objetivos!

          O sol escaldante, o asfalto queimante
          A chama chama e ao mesmo tempo me repele.
          A vassoura já trabalha sozinha por mim,
          Mas ninguém,
          Ou nenhum rosto,
          Percebe
          Pois eles passam,
          Sérios, mudos, comprometidos, apressados, apreensivos.

          Como vem o calor,
          tão espontaneamente,
          vem a solidão então,
          tornando-se cada vez mais presente.
          Minha única companheira,
          nessa vida minha e da vassoura,
          compartilhando comigo as dores e pesar
          de ver rosto por rosto
          Ir-se embora,
          apenas focado em seus valores mundanos.

          Passa por mim
          mais um rosto
          focado, sério, apreensivo, mudo.

          Eu existo?
          Como se não me sentisse jamais,
          já que ninguém sentia por mim,
          Como se já não existisse mais,
          já que ninguém existia por mim.
          O reflexo que meus olhos viam ao olhar nas vitrines das lojas onde nunca pude pisar
          parecia não fazer parte desse mundo.
          Olhos os mesmos que produziram então esse líquido quente,
          Que se fundia com meu suor,
          Beirando meu rosto,
          Tão salgado, tão leve.

          Mas nenhum rosto que passava percebia isso,
          Pois eles eram apenas rostos, não corações
          E rostos não sentem.
          E rostos não entendem.
          Rostos apenas passam,
          Sérios, mudos, decididos.

          Decidi então compartilhar com as minhas únicam companheiras,
          Que pareciam estar comigo todos os dias,
          Sofriam comigo,
          Sentiam o mesmo calor,
          Sabiam como eu
          O que era ver todos esses rostos passando,
          Sem nenhum deles se importar.
          Minha Vassoura porém envelhecia,
          e eu percebia que o tempo passava, assim como os rostos.
          Minha companheira me deixaria?
          Desabafei então com a Solidão,
          Que depois que veio já não me deixou
          Ela não passava como os rostos, e como a minha querida amiga vassoura
          Mas ela não me respondia.
          Ela não se sensibilizava.
          Ela era aquela que está sempre ao seu lado, mas apenas faz sentir-se pior.

          Pois foi o dia mais quente do ano
          E mais movimentado também
          Assim eu tinha muito o que limpar, muito o que fazer,
          Eu, a Vassoura, e a Solidão.
          Já não ligava mais para os rostos que passavam,
          (Mudos, sérios, insensíveis)
          Nem para os calos e a fadiga do calor
          Eu apenas existia para o que fazia,
          Então fazia o que devia fazer.
          Varria e varria, toda a sujeira do lugar.
          Que todas as mãos, que também iam embora, balançantes,
          (mas nenhuma se estendia para mim)
          despejavam por aí.

          Foi quando minha vassoura já não mais suportou.
          Se despedaçou, como de coração partido,
          Seus cabelos já ralos,
          Sua cabeça desprendeu-se.
          Foi a morte da minha mais querida amiga.
          O que faria eu, agora?

          E eu gritei, chamei
          Mas os rostou apenas passavam.
          E eu corri, toquei os ombros
          Mas agora os rostos apenas se apavoravam.
          E eu chorei, sentei
          E os rostos continuavam a passar,
          Tão mudos, e sérios, e absortos em seus interesses.

          Como faria eu, agora?
          Agora que minha melhor companheira se foi,
          E agora que já não posso mais fazer o que havia virado o motivo da minha existencia,
          E não posso mais fazer o que devo?
          O que faço agora, que não existo para nada, não existo por nada?

          Nesse mundo de dúvidas e desespero, recorri pela minha última vez à solidão, minha última companheira.
          Mas ela novamente nao me respondia.
          Ela adotava uma posição sarcástica,
          Permanecia ao meu lado,mas agia como se não existisse
          Estaria ficando louco?
          A Solidão ria.
          E em seu escárnio, me apontou a rua.
          Rua?

          Não havia motivo, estava sem a minha vassoura.
          Só depois então que entendi.

          Me desvencilhei de todos os rostos que passavam,
          Sérios, mudos, indiferentes,
          E eles se desvencilhavam de mim.
          As gotas de suor despejadas no chão,
          e as lágrimas no corpo da minha última amiga,
          falecida,
          Que jazia em minha mão,
          recolhendo todos os pedaços de seu coração partido.

          Eu cheguei à rua,
          Onde passavam carros,
          Todos bonitos,
          Mas sérios, mudos, e apressados,
          Com mais rostos dentro.

          E eu fui então em direção a eles,
          Chamá-los e compartilhar com eles o meu pesar,
          Mas eles,
          assim como os rostos,
          Desviavam de mim,
          Tão sérios, tão mudos, e apressados.

          Corria em direçao a eles,
          Quando um, em sua pressa, acabou não conseguindo me evitar,
          Veio súbito, como em um abraço forte, de que nunca soube abraçar.
          Ao suor juntava-se rápido outro líquido
          Este também fugia de mim...
          Era tão vermelho, tão apressado.

          Mas o carro passou
          Agora via muitos borrões
          reuni minhas ultimas forças e me sentei à beira da rua,
          Com minhas duas amigas
          uma delas já morta

          Me vi morrendo, em minha dor,
          Mas os rostos passavam, indiferentes
          E os carros também, indiferentes
          Ficava tão frio, tão de repente,
          Com o sangue fugindo, irreversivelmente,
          Mas não diferentemente
          do resto do mundo.

          Haveria mais liquido dentro de mim?
          Descobri então, quando caiu mais uma cascata quente dos meus olhos.
          Mas que não me esquentava,
          assim como o sol já nao o fazia.
          E descobri então que a solidão não era mais minha amiga,
          ou talvez nunca fora,
          Pois ela nunca me ajudou,
          e eu acho que é isso que os amigos deviam fazer.
          Pelo menos era o que a minha vassoura fazia.

          Mas agora não pensava mais direito, e mal via os rostos passando
          via borrões, via tão mal
          E via pouco, quando veio o sono.
          Em minha dor, banhado em meu suor, na minha lágrima e no meu sangue,
          Abracei forte a minha única amiga,
          E a ela pedi desculpas,
          Caso a houvesse tratado mal.

          A ela agradeci, já de olhos fechados,
          por ter sido minha companheira até o fim, apesar de morta, agora.
          E a ela pedi que, em breve,
          já que ia me juntar a ela
          Em um mundo em que já nao haveriam mais rostos,
          que passam, tão sérios, tão mudos, tão indiferentes,
          Se una de volta a mim,
          Fazendo disso um novo começo, não um fim
          E com o último suspiro,
          Com o último punhado de ar daquele mundo que apenas passava,
          Tão sério, tão indiferente, tão rápido por mim,
          Pronunciei a minha última palavra a minha tão querida e única amiga:
          - Obrigado.

          e então fechei os olhos, aliviado, mas apressado
          para encontrar minha amiga novamente,
          E não ver mais os rostos que passavam.

          Iria sentir minha amiga,
          nesse novo mundo onde não haveria mais dor,
          nem carros, nem rostos
          nem olhos para ver
          Quantos rostos passam,
          Tão rápido, tão sérios, e mudos.