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sábado, 3 de setembro de 2011

Tabuleiro

Escolha seu jogador. Coloque-o na casa de partida. Lance os dados e ande o respectivo número de casas. Siga as instruções de cada lugar em que parar. Vence quem chegar primeiro.

E tudo parece um lindo jogo.
Tudo parece tão simples do jeito que você enxerga. Objetos são simples quando analisados de cima, e é verdade; quando você joga, eu devo ser a próxima a jogar. Que previsível.
Que linda forma de jogar. Avançando casas sem se preocupar com todo o resto, desesperadamente em rumo à chegada, sem nada a perder. Nada?
Bom, o que se perde quando se ganha um jogo?
Porque é tudo um jogo...

Tudo é um jogo. Tudo é um miserável tabuleiro estirado sobre a mesa, eu sou só as mãos que movem meu boneco sobre ele; eu sou só a mão que lança os dados e pendo à deriva da sorte. Minha sorte, sua sorte.
Não importa mais a minha vontade, quando devo seguir somente e apenas o dado e o tabuleiro. Droga de tabuleiro, droga de jogo, droga de bonecos, droga de mãos. Droga de sorte. Droga de você.

Três casas à frente.
Fique uma jogada sem andar.
Ande duas casas para frente e, em seguida, mova um jogador duas casas pra trás.

Jogos de simples instruções, que, entretanto, minhas mãos não conseguem seguir. Meu personagem não conseguem andar. Poderia correr à chegada, mas a cada vez que ando paro em uma casa tão miserável quanto esse jogo estúpido.
Enquanto você anda. Você segue. Pois bem, tão risível estar cada vez mais perto da chegada, não? Tão bom ganhar.. Vencer, vencer.

Minha vez de lançar os dados.
Não sei se você lembra, mas sou desgovernada. Não sei brincar.
E não sei fingir que a vida é essa brincadeira.
Vou lançar os dados, e por entre meus dedos sairá o meu azar, a nossa sorte.
A sorte que me deixará aqui, parada em onze casas miseráveis, enquanto seu personagem alcança a gloriosa linha de chegada.

Por entre meus dedos rolou a derrota, pelo meu cansaço desisti de competir.
Parabéns, vencedor, você chegou lá.

Minhas mãos desobedientes não precisam mais revoltar-se ao lance de dados.
Agora elas acenarão apenas adeus.

Já podemos guardar o tabuleiro.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Se o Mundo Realmente Acabar em Dezembro de 2012, Eu Detestarei Ter:

~ estudado matrizes, análise combinatória e tudo de matemática que eu tenho certeza que nunca vou usar, em prática, na vida. inclusive divisão de polinômios (que a propósito eu esqueci como se faz desde que eu passei a sexta série);

~ morrido com 17 anos. como assim não terei minha carteira de motorista, feito 21 anos e entrado numa boate dos EUA, feito minha mega festa de 18 anos, e poder ser presa caso cometa algum crime (não que eu vá fazer, mas sabe como é, é poético afirmar, "oh, posso ser presa agora!")? ;

~ passado a "vida inteira" na escola, quando eu poderia estar fazendo outras coisas nas 30h semanais que eu gastei nela.

~ (não ter) me casado, porque eu sei que não vou casar com 17 anos rs

~ (não ter) feito a viagem super esperada de quando eu passar no vestibular.

~ para o qual, a propóstio, eu estudei à toa, uma vez que vou morrer antes de começar a cursá-lo;

~ (não ter) tido a chance de comprar meu apartamento, que obrigatoriamente deve ter um closet e um armário com espelho enorme no meu quarto. Não, eu nem me importo com a cozinha, área de serviço, sala, outros quartos, mas meu quarto deve ter closet e um espelho grande.

~ sido saudável todos esses anos, quando eu poderia estar estupindo muito bem as minhas artérias de Cheddar McMelt, Cheetos Requeijão, salsicha e ovo no pão, pão de queijo, sobremesas diversas, e até meu coração de gordura. eu vou morrer mesmo!

~ esperado tanto tempo pra fazer algumas coisas. se eu for morrer daqui a 1 ano, então hoje é tudo ou nada.

~ (não ter) salvado o meio ambiente. quer dizer, eu poderia largar a escola e me dedicar aos projetos de fontes energéticas alternativas, já que não vai dar tempo de eu fazer isso em um futuro emprego.
se bem que o mundo todo vai acabar, então não vai fazer muita diferença se destruíram a natureza antes, mesmo.

~ esperado pra fazer minhas próprias confecções! tenho modelos e estilos, livros de design e até o programa. se o mundo for acabar em 2012, eu ficarei muito, mas muito puta, de só ter feito uma camiseta e estilizado outras duas blusas.

~ E, não por fim, mas por último, perdido tempo nesse post ou até mesmo no computador, uma vez que eu só tenho mais 1 ano e 6 meses de vida, eu deveria estar lá aproveitando.




Ou simplesmente deveria ter nascido em 1400 no Brasil, quando eu seria uma índia e conheceria e viveria tudo o que eu sempre imaginei como seria, e já estaria morta hoje mesmo, então não faria diferença se o mundo vai ou não acabar em dezembro de 2012.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

A Rosa.

E eu que há anos me dizia romântica.
Mas agora que aprendi sobre o Romantismo, posso dizer, sou tudo, menos romântica.

Porque os românticos são mórbidos.
Os românticos passam tanto do seu tempo apaixonados por uma idealização, que acabam por não se apaixonar por nada real.
E esperam na morte a sua realização.
Quer dizer, qual é a graça de viver toda uma vida pensando em morrer?

Sou a maior defensora dos sonhos. Mas será que sonhar é bom ao ponto de tudo tornar-se tão perfeito e idealizado que nada mais é bom?
Será que sonhar é bom quando, ao abrir os olhos, tudo o que vir for decepção, ao perceber que nada do que estes vêem é bom o bastante, e tudo aquilo visto quando fechados é tão perfeito quanto inatingível?
Não seria viver em uma angústia?

"Os românticos são saudosistas, e para eles o tempo bom ou é o futuro, ou o passado. Nunca o presente.
"Eles alimentam uma idealização tão forte que é perceptível que nunca será atingível em vida. Por isso encontram seu prazer na morte."
Prazer. Na morte.

Que coisa mórbida.
Que coisa triste.

Mórbida, por passar uma vida pensando na morte. Mórbida, por alimentar sonhos que voam tão alto, sonhos estes que não ajudam a traçar metas, mas destruir a beleza de algo real. Por ser tão perfeito, tão surreal, que a realidade é a amostra da desgraça aos olhos românticos.
E triste, por viver uma constante decepção. Por amar tanto o imaginário, que se bloqueia o coração ao que pode amar e ser amado. Triste por passar a vida pensando em coisas maravilhosas, mas que nunca serão ditas nem vividas.

Triste por acabar não vendo passar o mais maravilhoso que nos foi dado, por estar ocupado demais sonhando de olhos fechados e esperando pelo seu fim. E daí, quando ele efetivamente chegar, já será tarde demais.
Porque se alguém abrir seus olhos, eles já não verão mais nada.

Eles brilharam tanto, mas o fizeram fechados, assim ninguém os pôde ver.
Eles viram tanto, mas situações e seres inventados e inatingíveis, assim não puderam ver as belezas reais. Tão cegos por lágrimas de decepção que não puderam procurar soluções para os problemas.


Os românticos, ao encontrarem uma rosa, a querem vermelha, como a paixão.
A querem no peitoril da mais bela sacada, servindo pólen às mais astutas abelhas.
Abelhas estas que produzirão o mais fino mel que adocicará os lábios da bela e pura donzela que virá a desposá-los.
Já sabem exatamente como ela será, como ela se vestirá, como ela se comportará nas mais desaventuradas situações.

Se eu encontrar uma rosa, a pegarei, sendo ela vermelha ou não.
A regarei, para vê-la crescer, na minha mesinha.
E quem sabe algum dia a darei a alguém que as ache bonitas.

Mas não, os românticos encontram a beleza na morte.
Encontram a beleza em tudo aquilo que não é real.
Sendo os Românticos assim,
eu não sei bem quem eu quero,
Mas não quero um romântico pra mim.

sábado, 21 de agosto de 2010

I'm not gonna write you ...

" Blank stares at blank pages
no easy way to say this
you mean well, but you make this hard on me
"


E eu não quero mais escrever sobre isso. Não mesmo.
Sabia que nem as letras, nem o tempo, nem nenhuma linha vocês merecem?

" Time, is going by, so much faster than I "

E eu tinha ficado. Que boba, eu. Tinha ficado, pensando. Mas o tempo correu. E eu caminhei apenas.
Foi quando eu percebi que estava tarde. E que eu nunca devia ter parado para esperar nada.


" I walked away, and tried to hide
feel the same still, love inside

I lost my mind. "


Eu devia estar mesmo louca.
Em achar que brotariam sementes que na verdade nunca foram semeadas.
Será que eu realmente achei isso, pra falar a verdade?

Dizem que a vida é um livro, e que conforme vivemos, ele se preenche.
Vocês vieram para preencher o meu, e agora percebo que vocês são todos páginas, em branco, todos livros em branco.
Sabe por quê? Porque se vocês tivessem qualquer linha escrita, se importariam com o que e como foram escritas, dariam importância aos personagens da sua história.
Mas falta tanta coisa.
A verdade é que vocês não têm tinta.
E não tem mãos, não têm olhos, não têm coração, para escrever.

E eu tentei ajudar vocês. Ofereci-lhes tinta, mas a ela vocês recusaram.
Mas descobri que não lhes posso dar meus olhos, e meu coração.
Vocês não quiseram abrir os seus. E estes permanecerão fechados, então.
E quer saber?
Não serão comprados, assim como seus livros. Se forem comprados pela capa, ficarão apenas guardado em uma estante.

É verdade, escrevo aqui muita coisa guardada. Que a propósito os personagens da história nunca chegarão a ler.
Mas notem que não escrevo a vocês.
Afinal, sei que não têm olhos para ler. Nem mãos nem tinta para me responder. E nem coração pra se importar.
Mas são coisas que eu escrevi muito em meu livro - porque notem, eu pelo menos escrevo alguma coisa -, e que espero ler sempre que precisar.

Talvez vocês estejam agora sendo comprados pela capa.
Que a estante em que vocês hão de apodrecer seja bem bonita.




E eu não sinto muito.